As pesquisas demonstram que as probabilidades de inatividade, emprego e desemprego são resultado de diferenciadas, sendo a escolaridade, a experiência, a cor dos indivíduos e a renda familiar os fatores que se mostraram mais importantes na determinação da forma de inserção dos jovens no mercado de trabalho.
A análise da questão demonstra que ocorre uma maior taxa de desemprego nos níveis medianos de escolaridade, explicada pela maior oferta de trabalho pelos jovens com esse nível de escolaridade em relação aos níveis mais avançados. Por outro lado, a seletividade na busca por trabalho dos jovens com nível mediano de escolaridade, em relação aos grupos com menos escolaridade, seria maior, o que pode elevar a duração do desemprego para esse grupo de indivíduos. Os trabalhadores menos qualificados geralmente aceitam a primeira oferta de trabalho, já os indivíduos com um pouco de qualificação podem estar buscando melhores vagas, o que pode explicar o fato de os jovens com nível de escolaridade médio apresentar taxa de desemprego mais elevada que os menos escolarizados.
A taxa de desemprego significativamente mais elevada para os jovens pretos em relação à taxa de desemprego dos brancos, pode estar indicando que os jovens negros são alvo de discriminação racial no mercado de trabalho no preenchimento das vagas existentes e/ou que estes jovens possuem uma menor qualificação que os demais, o que, conseqüentemente, diminui o seu grau de empregabilidade. Esta condição é amplificada por um ciclo vicioso. Milhões de jovens brasileiros estão cercados por um ambiente desanimador, sem perspectivas de uma boa escolaridade e muito menos de um bom emprego e conseqüentemente de melhora de vida. A perpetuação do ciclo de pobreza, ou seja, a reprodução das condições sociais vigentes, onde os mais pobres têm menos escolaridade, trabalham mais e auferem os menores rendimentos é vista como certa. Os jovens brasileiros estão sem perspectivas, o que provoca uma série de problemas sociais como o aumento do consumo de álcool e drogas, aumento da violência e da prostituição e altas taxas de gravidez precoce. O Brasil necessita de uma política para a juventude que compreenda educação, trabalho, cultura, saúde e lazer, de modo a garantir melhoras na qualidade de vida de nossos jovens e criar condições para o desenvolvimento sustentado do país.